Também preciso de carinho

 

Afeto e carinho. É o que todos nós necessitamos. Precisamos do toque sem malícia, do abraço, do beijo, do afago constante, sincero e duradouro. Estamos sempre necessitados destas coisas que, para muitos, pode parecer supérflua.

A vida é sempre melhor quando o tratamento com as pessoas com as quais convivemos, é mais carinhoso, cheio de vida, sinceridade, ajuda e companheirismo.

Afeto é que o falta. Afeto é o que me falta também.

Precisamos do abraço amigo, da palavra de conforto, do olhar sincero, do colo, de coisas pequenas. Afeto é o que falta. Nada mais.

Se tivéssemos mais afeto tudo seria diferente.

Nossas crianças precisam do abraço acolhedor na catequese. Precisam do toque amigo. Precisam de um olhar bondoso e de um sorriso. Precisam da nossa escuta e da  nossa paciência e, principalmente, da nossa oração.

A catequese seria melhor com  mais afeto. Deveríamos exalar afeto e fazer disso a nossa ação prioritária.

Catequistas afetuosos são mais convincentes e traduzem melhor a linguagem do amor.

Eu nunca tive afeto na minha infância. Nunca soube o que era isso. Fui tratado aos berros, aos gritos, sem carinho, sem abraço, sem beijo, sem atenção, sem escuta, sem diálogo. Sou o protótipo do medo. Cresci assim. Por isso, sinto falta. Derreto-me quando vejo casais de mãos dadas, mesmo com idade avançada. Fico em prantos quando vejo filhos e pais num relacionamento de carinho e cumplicidade. Acho lindo quando me relaciono com catequistas afetuosos, daqueles que te olham com o olhar do amor e que te recebem com o abraço do amor. A gente sente estas coisas.

Sou um carente ao extremo. Choro com facilidade. Sou um emotivo. Preciso de afeto. E justamente por precisar tanto é que me empenho em dar o que eu não tenho, talvez para que os outros sintam o quanto eu preciso.

Torno-me um chato, às vezes, de tão afetuoso que sou. É como se eu dissesse      “seja afetuoso comigo também, me dá um abraço e me escute”. Preciso ser escutado. Preciso ser amado nas pequenas coisas. Sei que o verdadeiro amor deve ser desinteressado. Não devemos querer nada em troca quando damos amor. Mas no meu caso, eu quero, necessito, preciso. Por isso eu dou. Quero ser sempre amável com as pessoas. Com os meus jovens de crisma, sou um pai carinhoso e bondoso, que às vezes explode, mas que ama verdadeiramente. Os recebo com um sorriso e eles me sorriem. Dou-lhes um abraço e eles me abraçam. Proponho-me a escutá-los e eles falam e na medida que dou, preencho um vazio existente em mim.  Quando vejo cada rostinho me esperando nos encontros semanais visualizo o menino triste que fui, o adolescente carente que eu era.  E aí me transformo e despejo amor, o amor puro, sincero, amigo e de cristo.

O afeto é tudo. Na catequese, ele é essencial. Entre os catequistas é fundamental. Na relação com as pessoas é transformador.  No contato com Deus, através da oração, o afeto é incondicional.

Quero afeto, preciso de carinho, preciso ser ouvido, preciso de abraço, de ombro amigo e do colo. Preciso de tudo isso, sempre, a todo instante. Preciso de e-mails  com um simples bom dia,  de telefonemas fora de hora, de recados no orkut.

Preciso de afeto porque sou humano e em mim, bate um coração exigente de carinho, de atenção e de amor..

E por ser assim, é que me dedico a amar os outros com todas as  minhas forças e com toda a coragem possível, porque também preciso isso de volta.

E na medida em que dou, também recebo. Nem sempre na quantidade que eu gostaria, mas o suficiente para continuar escrevendo que preciso do amor de cada um.

Eu preciso do seu carinho. Não me negue este presente.

E eu te amarei sempre, com todo meu ardor.

 

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